Dalberto Pombo

Dalberto Teixeira Pombo nasceu a 9 de Novembro de 1928, na aldeia de Almofala, Figueira de Castelo Rodrigo. Veio para Santa Maria, para trabalhar na Direcção Geral da Aeronáutica Civil, exercendo as funções de Escriturário de Tráfego e de Despachante de Mensagens, em 1952, tendo, desde então, adoptado sempre a Ilha de Gonçalo Velho como sua terra de coração e de acção. Aqui constituiu família a 23 de Abril de 1955, com a Mariense Noémia Pombo, sua sempre companheira, tendo o casal tido 1 filho e 2 filhas.

Apesar de não possuir curso universitário, de forma auto-didáctica, comprovadamente, se diplomou a esse nível, sendo um autêntico mestre em áreas como a botânica, biologia e geologia, possuindo dotes e conhecimentos de investigação muito apreciados e reconhecidos, naqueles meios académico-científicos.

Colaborou com várias universidades portuguesas e estrangeiras, tendo, meritoriamente, sido incumbido de fazer a etiquetagem de tartarugas oriundas da América do Norte, que nas suas rotas migratórias eram encontradas ao largo do litoral de Santa Maria, realizando, igualmente, os registos de identificação das mesmas, para reenvio à comunidade científica.

O apoio recente dos Estados Unidos da América à pretensão dos Açores, junto da UE, de salvaguardar os recursos dos seus mares e manutenção da ZEE nas 200 milhas, sob o argumento que as suas tartarugas da Florida, fazem rota nesses mares, têm de alguma forma presente a contribuição do trabalho anónimo do Senhor Pombo.

No campo de investigação, descobriu dezenas de espécies novas, reconhecidas cientificamente como tal, em revistas científicas de renome. De entre essas espécies, há cinco que, através da atribuição da sua denominação científica, a comunidade investigadora internacional, prestaram homenagem ao Senhor Pombo, acrescentando o restritivo específico “pomboi”.

São elas:

- Um crustáceo de água salgada, em 1974;

- Dois ácaros, em 1992;

- Dois coleópteros (1 em 1990 e outro em 2002).

Vários dos seus trabalhos de investigação obtiveram relevo e perpetuação em artigos científicos publicados pela Sociedade Portuguesa de Entomologia, e referências em alguns estudos do Dr. Artur Serrano e do Dr. Paulo Borges.

Mas o Professor Pombo, como, justamente, lhe chamou o investigador Paulo Borges, e mais recentemente o Director Regional do Ambiente, não foi só um distinto naturalista-investigador, mas também um percursor da educação ambiental nos Açores, e um verdadeiro pedagogo, sentindo-se feliz, quando concretizava essas suas paixões, com os jovens e para os jovens. Nessa senda, foi co-fundador do Corpo Nacional de Escutas, em Santa Maria e criou o reputado Centro de Jovens Naturalistas (CJN), tendo sido sempre o seu coordenador responsável.

Do CJN, saíram várias publicações como panfletos e brochuras de sensibilização/educação ambiental, destacando-se os conhecidos “Boletins dos Jovens”, sendo o primeiro datado de 1970 e o último de 1987.

Juntamente com o Clube dos Amigos e Defensores do Património-Cultural e Natural, realizou várias actividades de educação ambiental e pesquisas sobre aves marinhas migratórias e vegetação endémica dos Açores, integradas na Campanha Bandeira Azul da Europa.

Nas muitas saídas de campo realizadas com os jovens, em Santa Maria, noutras ilhas dos Açores e até na serra do Gerês, constantemente, irradiava simpatia, entusiasmo, clima de curiosidade e humor, sempre com uma anedota fresca na ponta da língua, a intercalar uma nova aprendizagem. Saia com eles para apanhar borboletas, coleópteros, colher amostras geológicas, identificar plantas e observar aves, tendo construído colecções e embalsamado exemplares de avifauna encontrados mortos, os quais se constituem de relevado valor em termos de património natural.

Em reconhecimento deste valioso e singular espólio, a SRAM, no passado dia —, protoculou com a família no sentido do mesmo ser exposto numa sala do futuro Centro de Interpretação Ambiental de Santa Maria, a qual se denominará de Dalberto Pombo, em justa homenagem ao Naturalista.

O enorme valor do Senhor Pombo, dentro e fora de portas, na área científico-natural e ambiental, igualmente teve justo reconhecimento da parte da RTP-Açores, e RTP-1, tendo sido convidado a falar da sua obra nos programas “Aqui Açores”, em 1985, e “Praça da Alegria”, em 1999.

Pelo seu dedicado trabalho no âmbito do escutismo, o Senhor Pombo, também foi enaltecido com devidas condecorações do CNE.

Ao brilhante investigador-naturalista, ao dedicado e histórico chefe de escuteiros, ao mestre e companheiro de causas, ao homem ilustre, mas sempre de enorme simplicidade, expresso em nome do CADEP-CN, o profundo pesar pelo seu desaparecimento físico, ficando na nossa memória e na dos marienses, em geral, o exemplo de Homem e a sua obra, ambientalmente, notável.

Sempre te reencontraremos em cada recanto da Natureza.

Obrigado Senhor Pombo.

BEM HAJA, E PAZ À SUA ALMA!

José de Andrade Melo

Coordenador do CADEP-CN

Clube dos Amigos e Defensores do Património-

Cultural e Natural de Santa Maria